ESPAÇO PSI - Espaço de Psicologia
 
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A PSICOTERAPIA COMO UMA RELAÇÃO DE AJUDA!

Uma visão fenomenológico-existencial

Mário Tadeu Bruçó

A relação cliente/terapeuta é um aspecto importante do processo psicoterápico, pois dessa relação depende o caminhar juntos (cliente e psicoterapeuta), o acreditar, o confiar, estabelecendo-se um vínculo tal que a percepção e conscientização das situações conflituosas possam ocorrer.

O psicoterapeuta, aqui, é a ponte de ligação entre o mundo do cliente, servindo até como anteparo às projeções deste e como possibilidade referencial. Importante que tanto o psicoterapeuta como o cliente fiquem atentos aos diferentes momentos do processo terapêutico, pois tudo pode acrescentar na busca do autoconhecimento, do caminho esclarecedor.

Sentimentos do cliente de qualquer espécie devem ser trabalhados pelo psicoterapeuta, este não deixando também de ser afetado pelos conteúdos do cliente. Na verdade, são dois seres relacionando-se, um sendo afetado, à sua maneira, pelo outro. Se o cliente encontrar dificuldades para lidar com determinado conflito, o psicoterapeuta deve ser um facilitador para que ele venha à tona, buscando os próprios referenciais e o auto-suporte do cliente.

Na relação, é importante que o psicoterapeuta imagine o sofrimento do cliente para poder compreendê-lo e ajudá-lo. Mas é necessário também distanciar-se no momento adequado para poder visualizar melhor o estado às vezes confusional do cliente, e efetivamente ajudá-lo a tomar posse de si, encontrando o seu caminho, pessoal e único, sem perder a sua dimensão.

Há vários tipos de psicoterapia: adulto, adolescente, criança, terceira idade; individual, casal, família, grupal. Falarei mais especificamente das terapias de adulto, casal e adolescente.

Terapia de adulto

Na maioria das vezes, quando uma pessoa procura a ajuda de um psicólogo (psicoterapeuta), ela se queixa de dificuldades para lidar com seus problemas, fala de algum tipo de sofrimento existencial, o que pode gerar distúrbios emocionais de vários tipos.

Às vezes a pessoa vem com uma queixa orgânica. Depois de ter passado por vários médicos e de exames exaustivos, não encontrou nenhum problema físico. Descobre-se que ela está com um distúrbio psíquico chamado psicossomatização : seu corpo revela um sintoma, gerado a partir de dificuldades emocionais.

Outras vezes a pessoa diz estar sem energia. Tal sintoma pode se caracterizar como um quadro de depressão mais sério, precisando, além da psicoterapia, de um acompanhamento medicamentoso, feito por um médico especializado (geralmente um psiquiatra).

Há aquela pessoa que diz ter dificuldades de relacionamento, sente-se sozinha e rejeitada. Como se pode notar, diferentes motivos sugerem que a pessoa procure uma ajuda psicoterápica. O importante é que ela possa reestrututar-se psiquicamente (encontros de 1 vez por semana, geralmente), quando o psicoterapeuta a ajudará.

Terapia de casal

Neste tipo de trabalho psicoterápico, o casal levará a sua queixa: dificuldades na relação e às vezes com os filhos; para encarar um possível término do casamento ou para lidar com as diferenças que aparecem na relação e com o sofrimento muitas vezes aí gerado. A partir daí, o psicoterapeuta combinará com o casal encontros semanais (1 ou 2 sessões), para que se possa, no contexto psicoterápico, ajudar o casal a entrar em contato com os problemas apresentados e suas inter-relações. Em seguida, objetivar uma melhor forma de lidar com eles.

Nesse contexto poderão aparecer desde dificuldades de cada um ou de ambos, o que muitas vezes explicará as incompatibilidades no relacionamento. O psicoterapeuta procurará, junto com o casal, ir em busca de uma melhor organização emocional. Isso poderá possibilitar a reconstrução afetiva e familiar, gerando mudanças de atitude e de comportamento.

Terapia de adolescente

Na terapia de adolescente, normalmente são os pais que o trazem. As queixas vão desde o fato de o filho ir mal na escola, até rebeldia, falta de responsabilidade, de interesse pelo cotidiano, envolvimento com drogas e dificuldades de relacionamento em casa e fora dela. São acompanhadas, às vezes, da queixa de certa timidez, medo, vergonha, etc.

Os pais mostram-se preocupados, não sabendo como lidar com o adolescente, o que acarreta a necessidade de eles receberem orientação ao longo do processo psicoterápico ou até mesmo passarem pelo seu próprio processo.

Normalmente as sessões giram em torno de 1 a 2 vezes por semana. O psicoterapeuta e o adolescente entram em contato com os problemas levantados, buscando compreendê-los e formas de lidar. O psicoterapeuta ajuda o adolescente a se entender e fortalecer-se para lidar com seu cotidiano, com os pais e amigos; enfim, com sua existência.


 

 

 
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