ESPAÇO PSI - Espaço de Psicologia
 
Resultado
   
 
GESTALT-TERAPIA: UMA PROPOSTA FENOMENOLÓGICA-EXISTENCIAL

Mário Tadeu Bruçó

O homem, aqui, é visto não como um ser (aquilo que se manifesta em todos os entes - que é tudo que povoa o mundo) universal, indistinto, mas como um Ser particular, concreto, com vontade e liberdade pessoais, consciente e responsável.O Existencialismo é a expressão de uma experiência individual, singular. Essa individualidade é uma proposta de o homem assumir-se totalmente na liberdade responsável, ou seja, tornar-se senhor das suas atitudes, da sua maneira de ser, do conhecer-se profundamente. E isso nada mais é que um conhecer-se na relação com o mundo e consigo próprio, de modo que o homem possa dar respostas diferenciadas entre suas necessidades e as exigências que vêm de fora.Assim, o homem é o único ser que pode interrogar-se acerca de si mesmo, sair de si para projetar a si mesmo. Pode fazer um projeto de si próprio, realizando-se. Ele não é, mas está sendo na relação com o Outro.Amando-se, antes de qualquer outro, o homem aprende que seu amor por si mesmo se transforma na sua própria medida de amar os outros. Ou seja, para que ele possa chegar à autêntica consciência de si, o Outro é o mediador indispensável.Portanto, a existência é um ato, a própria passagem da possibilidade à realidade.E nesse caminho da procura de sua autenticidade, o homem depara-se com a questão da essência (o que se é, a natureza de um Ser).É o fato de poder fazer opções que constitui a essência do homem e lhe permite criar seus próprios valores. Ele é um Ser diante da escolha. Não há como não escolher. Assim, se ele é totalmente livre para escolher, é também responsável por tudo que faz. Mas não é um escolher isso ou aquilo, mas assumir-se e assumir. É ter um compromisso com a realidade.Liberdade significa a capacidade de decisão sobre sua própria vida. E tem de ser uma decisão responsável, pois o homem vive num mundo concreto, que antecede a ele e que possui suas normas.O criar seu próprio mundo, realizando suas próprias potencialidades, é também para o homem uma fonte de angústia, pois ele se escolhe sem experiências prévias, sendo por elas limitado.O desespero do homem é ativo, o que o obriga a agir encarando a verdade diretamente, ainda que isso seja difícil. Ninguém pode realizar seu projeto por ele, o qual deve ser entendido como a procura de atualização da própria essência, do completar-se.Isso visto no contexto do processo psicoterápico revela uma permanente luta no sentido de fechar situações, “projetos” inacabados. Vive-se entre duas posições: uma, aquilo que almejo, que projeto; outra, o que realmente sou. A psicoterapia tenta fazer a ponte entre esses dois momentos existenciais.Assim, a psicoterapia objetiva (a partir do projeto do cliente, de sua escolha de como agir e de sua liberdade) levar o cliente a tomar consciência do seu projeto, da forma que ele vem se realizando e de como levá-lo adiante, sempre baseando-se na sua própria realidade e na sua relação com o mundo.A psicoterapia é um encontro que tem, por finalidade, ajudar o cliente a se desdobrar, pedaço por pedaço, até que ele “veja” sua essência consumada, até que ele possa identificar e experienciar o conceito de si próprio, seus desejos etc., confrontando-os com sua própria realidade.Uma das funções da psicoterapia é fazer com que o cliente se interprete, encontre seu próprio lugar no mundo, pois “o homem não pode viver sem sentido” (Kierkegaard).O processo psicoterápico começa a dar respostas, a perguntas, no momento em que o projeto existencial se torna mais compreensível, ou seja, a partir do instante em que as figuras vão se configurando ou as gestalten vão se fechando (resolução de situações até então inacabadas).Em outras palavras, na Gestalt-Terapia (vista como uma proposta fenomenológica-existencial) encontra-se a crença no homem, aqui e agora, presente, capaz de tornar-se cada vez mais consciente de si próprio, a partir da experiência vivida agora e da certeza de sua extensão dentro de uma visão holística dele como homem e como ser-no-mundo.Sendo assim, pode-se compreender como a Gestalt-Terapia fundamenta uma visão específica da existência, pois dá ênfase ao homem-em-relação, à sua forma de estar no mundo, à sua forma radical de escolher sua existência no tempo, sem escamotear a dor, o conflito, a contradição, o impasse, esse homem encara o vazio, a culpa, a angústia, a morte, sempre buscando achar-se e transcender-se.A Gestalt-Terapia faz um apelo constante à liberdade do homem, à sua individualidade e responsabilidade coerentes.


 

 

 
ESPAÇO PSI - Espaço de Psicologia