Não é fácil receber uma notícia de diagnóstico de câncer. Essa situação desencadeia algumas reações que variam de pessoa para pessoa. Algumas reagem de forma agressiva e com extrema negação do fato. Outras se "paralisam", ficam em estado de choque. E ainda há outras que não querem acreditar. Cada pessoa enfrenta a mesma dificuldade de maneira diferente.
O fato é que, muitas vezes, uma notícia dessa pode levar as pessoas à depressão logo de imediato. A depressão pode ocorrer após o diagnóstico, durante o tratamento ou mesmo após o tratamento, quando este ainda não fora suficiente ou com a suspeita de uma reincidência.
O paciente oncológico quando é acometido pela depressão deve ser tratado e acompanhado, pois a depressão pode levar o indivíduo à apatia a tal ponto de não aderir mais ao tratamento. Além disso, a depressão causa diminuição da resposta ao tratamento, ou seja, baixa sua carga imunológica tornando-se mais difícil a resposta positiva aos procedimentos dispensados.
No entanto, o que pretendo focar aqui é a depressão advinda da dor oncológica. A dor é o sintoma mais incapacitante dentre os demais sintomas que acometem o paciente com câncer e pode ser causada tanto pela própria doença como pelo tratamento. O paciente volta toda sua atenção à dor, não conseguindo se concentrar em outra atividade ou pensamento.
A dor oncológica é um evento que acomete de 50 a 70% dos pacientes com câncer e ocorre em 70 a 90% daqueles que se encontram em estágio avançado da doença. O sintoma que pode levar o paciente à depressão, também leva o paciente depressivo a sentir dor mais intensa. Isso porque a dor oncológica é contínua e de grande intensidade, causando desconforto físico, emocional, social e espiritual no paciente e, ainda, podendo vir acompanhada de ansiedade, luto, problemas financeiros, questionamento sobre vida e morte, entre outras questões que permeiam a vida de cada um.
Em decorrência disso, é necessário ter uma atenção voltada para a dor, tanto por meio de medicamentos como através de técnicas psicoterápicas para o manejo da dor, cujas técnicas podem ser: hipnoterapia, distração, relaxamento, visualização e musicoterapia. São intervenções que amenizam a dor e fortalecem os recursos internos do paciente, encorajando-o a enfrentar a situação e, assim, possibilitando uma resposta positiva ao tratamento, resultando numa melhor qualidade de vida.
Cristiane Vizzone
Psicóloga Clínica e Psico-Oncologista
Membro da SBPO - Sociedade Brasileira de Psico-Oncologia
CRP 06/75975
cristiane.psico@yahoo.com.br
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www.twitter.com/crisvizzone
Bibliografia
Kovács MJ, Kobayaschi C, Santos ABB, Avancini DCF. Implantação de um Serviço de Plantão Psicológico numa Unidade de Cuidados Paliativos. Bol. Psicol 2001
Pessini L. Humanização da Dor e do Sofrimento Humanos na Área da Saúde. In: Bertachini L, Pessini L, editores. Humanização e Cuidados Paliativos. São Paulo: Loyola; 2004.