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SEM PRECONCEITO

Eles começam a perceber as diferenças sociais e é preciso cuidar para que uma visão preconceituosa não se instale.

Claúdia S.G.Kós Farina
Artigo publicado na Revista Crescer de Outubro de 2001.



Gordos e magros, ricos e pobres, pretos, brancos, casados, separados. A criança dessa idade parece ter um impulso irresistível de classificar tudo. Em parte, porque essa capacidade de diferenciação é uma das características de seu estágio intelectual. Mas, principalmente, porque ela já deixou de ver a casa e a família como o centro do universo e está cada vez mais interessada em saber como funciona o mundo que a cerca. Começa então a perceber que alguns coleginhas têm mais ou menos dinheiro, outros têm pais separados, que determinada família tem uma religião ou alguns hábitos diferentes dos seus. E o filho vai levar suas observações aos pais que , agora, se vêem diante do desafio de evitar os preconceitos.

Nas panelinhas

É o momento de transmitir ao seu filho uma visão positiva da diversidade. Ensiná-lo a não classificar as pessoas por causa de sua raça, condição social, crenças, comportamento ou sexualidade. Na prática, significa passar a ele a idéia de que não são características como essas que tornam um amigo melhor ou pior, ou a amiga mais ou menos confiável.

Bater nessa tecla é importante agora, porque outra marca registrada da garotada é a tendência a se fechar em “panelinhas”. Esses grupos costumam se formar por interesses em comum, mas as regras que definem quem faz ou não parte deles são com freqüência discriminatórias. Seu filho pode não ter consciência disso, mas, se é ele quem fica de fora, vai se sentir inferiorizado. É o caso da turma dos “bons de bola” que não aceita a participação de gordinhos, ou do grupo de fãs de um videogame que colegas de menor poder aquisitivo não têm acesso. São exclusões que já podem estar calcadas em preconceitos.Daí a necessidade de alertar sua criança a não pautar suas amizades por esse tipo de critério.

Valores mascarados

A tarefa parece simples.Complicado nessa hora é o filho perceber que às vezes a gente não faz o que diz, que mesmo sem intenção acabamos lhe passando verdadeiras lições de intolerância. São as piadinhas que caçoam de raça e sexualidade, os comentários jocosos contra mulheres.
Ou a reprovação de algo considerado de mau gosto associado a hábitos de uma região. Ou, ainda, o discurso benevolente de respeito aos pobres porque são “uns coitados”, o que é bem diferente de explicar à criança que ser bem-sucedido não depende apenas de capacidade, mas de oportunidades e circunstâncias. São exemplos típicos de preconceitos enrustidos ou mascarados dos quais muitas vezes os pais nem se dão conta, mas os filhos aderem com maior facilidade.

Vigilância constante

O que ajuda a evitar que seu filho desenvolva atitudes preconceituosas.
.Não perca a chance de mostrar que o preconceito é sempre fruto da ignorância, porque se baseia no desconhecimento dos valores do outro.
.Procure ampliar o conhecimento de outras culturas, por meio de filmes, visitas a feiras regionais e a exposições históricas e de arte.
.Reforce sempre para ele a importância de considerar valores como integridade, solidariedade e justiça na avaliação do caráter das pessoas, independente da classe social,origem, sexo ou religião.
.Desencoraje críticas, como a de que o amigo é feio ou pouco inteligente, e mostre que todos têm pontos fracos e fortes, inclusive ele próprio;
.Demonstre com clareza sua indignação diante de injustiças cometidas com base em preconceitos. Notícias de conflitos religiosos e de discriminação racial e sexual, por exemplo, são um bom combustível para essas conversas.

Benefícios

Ao evitar que sua criança desenvolva uma visão preconceituosa nos seus relacionamentos, lembre-se de que você não está apenas seguindo lições de cartilhas politicamente corretas. É seu filho quem mais vai se beneficiar dessa atitude: sem preconceitos, ele aprende a ser flexível em suas posições, o que amplia seus interesses e seu convívio social, por fim, sua capacidade de compreender o mundo. É ou não é um grande começo para ele ser feliz?


 

 

 
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